Chakras A história real de uma iniciada - Halu Gamashi

Radio Universo Paralelo com Halu Gamashi

Falando e ouvindo no Universo Paralelo

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Terreno Baldio nasceu da minha necessidade de uma comunicação livre, ilimitada, sem formatos. Assim podemos mudar de assunto sem ferir os melindres da comunicação, como num bate-papo... De repente... Um assunto leva a outro e a conversa vai girando por uma ordem de prioridade inédita exclusiva e afinada com o pulso do momento. Por que não?

Terreno Baldio é para mexer e remexer na nossa imaginação. É um instrumento para fortalecer a máxima do: "É proibido coibir".

Eu acredito que pagar o preço para falar estimula a coragem para rasgar as mordaças. Dar conta de ouvir estimula a generosidade de alcançar, na fala do outro, uma aproximação.
Quando olhamos um terreno baldio imediatamente pensamos se há um dono. E eu penso que, quando um terreno baldio me olha, me pergunta: "Não quer você ser meu dono?". E o verdadeiro dono de um terreno baldio, para que terreno baldio ele continue a ser, permite a baldiação de pensamentos, sentimentos, dúvidas, investigações que só caberiam nos terrenos baldios, cujas respostas surgem nos vislumbres de uma imaginação, cujo dono propicia a comunicação.
Quer canalizar comigo?

Quando você vir um terreno baldio lembre-se de mim, debande-se para a sua casa e baldie `a vontade no meu, no seu, no nosso Terreno Baldio.

Halu Gamashi

Ficha Telúrica

Rede de ação: Halu Gamashi

Dia gramação: Dienny Marques, Dimas Xapanan
Tradução: Silvia Nogueira

Cercas Vivas: futuros colaboradores

terça-feira, 31 de maio de 2011

Se o penhor dessa igualdade - Halu Gamashi


Se o penhor dessa igualdade


As religiões nos ensinam que todos somos iguais diante de Deus, as leis, na tentativa de nos tornar cidadãos, também têm as suas sínteses educativas: todos são inocentes até que se prove o contrário, todos são iguais perante a lei, justiça para todos, etc.

O STF deu um passo importante para que nós, brasileiros, tenhamos a oportunidade de nos tornar cidadãos melhores; religiosos mais humanos diante de Deus e, embora as lideranças religiosas invoquem a discriminação para manter os seus patrocinadores, o povo precisa entender que a manipulação, para alcançar este objetivo, a qualquer momento pode se voltar contra ele, ou seja, o próximo discriminado pode ser você.

Será que já nos esquecemos de Hitler e sua raça ariana que discriminava as demais? E a raça negra então? Passou e passa por imperativas discriminações sociais. Todos nós precisamos procurar viver em paz, respeitando os direitos de todas as pessoas independentemente de suas escolhas.

Eu sou baiana e está viva na minha memória todas as humilhações que são praticadas contra o povo nordestino e, até por ter passado por estas humilhações, conheci de perto esta negligencia espiritual e combato qualquer tipo de discriminação,  não consigo acreditar que pessoas que sofreram com esta doença social venham, agora, transformar-se em uma doença na vida dos outros.

Eu tive amigos que foram abandonados por seus familiares por serem homossexuais e, apesar da dor do abandono, foram a luta, brilharam e conquistaram patrimônio sem nenhuma ajuda da família, muito pelo contrário, torciam para que ele se desse mal, sonhavam em retira-lo da sarjeta, esperavam um fim trágico para propor-lhe a recuperação contanto que sublimasse a sua escolha sexual. Muitos não tiveram forças e muitos, apesar da desolação, conquistaram o seu lugar ao sol, venceram profissionalmente; os familiares os colocaram a margem e impediram o convívio, ou melhor, ficaram a espreita, a espera da morte ou doença para avançar sobre o patrimônio por serem os herdeiros legais. Este tipo de comportamento, para mim, era um choque, uma hipocrisia abusiva de uma ética invertida sob uma religiosidade sem personalidade e de características mórbidas.

Como é que a minha religiosidade não me permite aceitar o convívio com homossexuais, mas me libera para abocanhar os frutos “ilícitos” de um pecador? Então o dinheiro de um pecador pode? O patrimônio financeiro pode? Mas a convivência e anuência com a sua existência não pode?

Parabenizo o STF que teve força e integridade para fazer valer a maior máxima divina de que todos somos iguais perante Deus e a base legal de dar aos cidadãos o direito de definir sobre seu próprio patrimônio.

O Brasil caminha para ser um pais libertador e o STF estimulou a nossa cidadania e fortaleceu a democracia e, para você que não concorda com esta atitude, não se esqueça, quando a discriminação vence sobre o individuo, procura outro individuo tentando encontrar, no seu viver, na sua filosofia, na sua ideologia, na sua consciência, uma forma de humilhação.

A discriminação é como um cupim, não engorda, sua fome não tem fim, esta sempre em busca de outra vítima para consumir, destruir e aniquilar. Este é o estímulo interno de um discriminador.

Aproveito para esclarecer que a escolha de um parceiro para uma vida não tem a ver unicamente com atividade sexual. Acreditar que o convívio de uma vida é pautada unicamente pelos órgãos sexuais é a declaração de um pensamento inferior, de uma ideologia irracional, animal mesmo. Só quem pensa assim pode acreditar que relacionamento homossexual é simplesmente atividade sexual. Esta colocação é tão boba, medíocre e miúda que nos leva a crer que há aí uma limitação na inteligência, que reduz os heterossexuais a definirem as suas vidas e suas parcerias simplesmente pela atividade sexual - outra bobagem. Assim é um discriminador, ataca todos os lados, reduz os heterossexuais a meros fantoches do sexo e os homossexuais a fantoches sexuais que precisam ser reeducados. Não aceite o rótulo de fantoche sexual bem educado ou mal educado, não permita esta redução na sua filosofia de vida - para os menos avisados esta manipulação passa despercebida.

Graças a Deus, ao meu pensamento democrático e a minha ideologia espiritual tenho amigos homossexuais e heterossexuais que não aceitam ser reduzidos a fantoches sexuais. Tenho em volta de mim pessoas que sabem que a escolha de um parceiro tem a ver com sentimentos muito mais profundos, concretos, empáticos, simpáticos e o sexo torna-se uma conseqüência. Atividade sexual é consequência de uma serie de fatores que compõe o individuo. Por exemplo, indivíduo violento – atividade sexual agressiva; individuo harmônico – sexualidade afetuosa.

Diga não a discriminação, ela é a origem de todo tipo de violência, a discriminação estimula a homofobia, o racismo, o bullying, as guerras religiosas, a ditadura, a perseguição, o desentendimento, etc

Dia 13 de maio comemoramos mais uma abolição, o STF diminuiu a escravidão no Brasil.

“...e o sol da liberdade, em raios fulgidos, brilhou no céu da pátria nesse instante.
Se o penhor dessa igualdade...”

Com amor por todos aqueles que lutam pela igualdade; com tristeza por todos aqueles que fortalecem a discriminação; com admiração por todos que constroem uma pátria mais justa,

Halu Gamashi