Sintonia e sincronicidade com a depressão.
Halu Gamashi
Existe
uma diferença entre o leigo e o autodidata, embora, esta diferença, não se
expresse com clareza nas definições legais.
Eu não
tenho nenhum científico diploma que me autorize a filosofar sobre um tema tão
erudito.
Dito, o
não dito, lá vou eu.
A
minha vida me levou a conviver com muitas pessoas, o que me estimulou a estudar
pessoas. Li, li muito. Experimentei mais do que li e, dentro deste plano de
observação, somado às minhas experiências pessoais, compreendi que a depressão
é a capa que esconde uma doença pior; a baixa, bem baixa, sumida, estima.
Quando a
estima desaparece o nosso primeiro movimento é eleger reis, autoridades e
juízes. Este é o caminho de quem não tem autoestima, é como se, “se alguém
importante gosta de mim é porque eu ainda tenho algum valor”.
Vamos
abrindo mão da nossa vida, opinião, preferências e auto orientação. Trocamos
tudo para que pessoas ilustres nos ensinem a “auto ajuda”, lemos livros que
querem nos auto ajudar e não percebemos a ironia, expomos as nossas
idiossincrasias que passam a ser medidas e rotuladas por estes juízes. Nesta
trajetória, vamos tentando inventar alguém que não somos.
A
ausência de autoestima não nos permite olhar para o espelho, em uma inversão
narcísica nos tornamos o anti narciso e tudo o que é espelho este
neo-anti-narcisista acha feio.
Pronto!
Colocamos o pé na depressão e o peso do que não somos se transforma em
toneladas, nossa segurança racha, racha o chão. Todo território embaixo dos
nossos pés esta rachado por carregarmos tantos pesos que não nos pertencem e,
ainda, de sobra, também continuamos carregando o peso real escondido sob a capa
da depressão até que o falso superego, criado por nossos juízes, também perde a
sua estima. Um silêncio triste toma conta da nossa garganta e a capa da
depressão esta cada vez mais forte e robusta para esconder e cobrir tudo nosso
que está ali dentro.
Esta é a
nossa chance de cura.
Depressão
é um território rachado que nos favorece refletir todos os pesos que estamos
carregando. Quando temos a coragem de tirar estes pesos, ou seja, nos afastamos
das pessoas que nos desestabilizam; de falsos amores, dos ágios e pedágios de
carinhos, ternuras e promessas que estacionam na promessa e nunca se
concretizam damos o primeiro passo para sair da depressão.
Agora é
preciso encarar o espelho. O que há em mim que eu julgo que os outros não irão
aprovar? Feita a lista é hora da pílula amarga: assumir! Tá difícil? Assuma!
Assuma você, caso contrário vai sumir com você. Não suma, assuma! Pessoas vão
se afastar? Vão sim... Vão falar mal de você... Vão inverter... Vão distorcer
verdades... Principalmente, vão estranhar...
Não perca
a medida, não se transforme em arrogante, coloque-se dê limites aos outros e a
si mesmo. É primordial não se transformar em um peso para deprimir outros. A
ideia aqui não é vingança, não são rompantes desnecessários, se você for por aí
a capa da depressão voltará mais forte.
As vezes
penso que a depressão é “a principal protetora da sociedade” na qual uma parte
desta sociedade deprime e adoece, consta como número, como estatística que visa
a padronização humana. Se houvesse menos deprimidos esta “sociedade” que ai
está, muito bem casada, muito feliz nos álbuns de retratos fosse um número bem
menor.
Não seja
um número, seja você. Conte com você, acredite que há espaços para as suas
idiossincrasias, para as suas escolhas pessoais, porque, a casa do Pai tem
muitas moradas, infinitas moradas e infinitas sociedades.
Esta é a
opinião de uma autodidata, ou de uma leiga, como o leitor preferir, sobre o
erudito tema da depressão.
Com
carinho por todos que tiveram força para se assumir, assumir o seu lado humano,
assumir as suas diferenças e que botaram o seu bloco na rua,
Halu
Gamashi